domingo, junho 17, 2007

MATILDE, A VACA VOADORA




Era uma vez uma vaca que voava. Chamava-se Matilde, mas ninguém gostava dela, pois tinha asas, voava por cima das vedações dos senhores e comia-lhes o que eles tinham plantado.
Porém, havia um menino que a achava engraçada. Era o Bruno: alto, cabelo preto, olhos da cor das castanhas, inteligente e brincalhão como a Matilde. Esse menino era eu.
Por sua vez, a Matilde era branca, mas podia mudar de cor, conforme a disposição, tinha chifres grandes, um rabo enorme e maminhas cor-de-rosa. Quando abria as asas para voar, estas ficavam vermelhas, apesar de, quando caídas, parecerem brancas.Tinha um olho de cada cor: o direito era vermelho, o esquerdo, roxo.
Quando não tinha nada para fazer ou para estragar, a Matilde soltava um grande MMUUUUMMMMMMMMMMMMMMMMMMMMMMM, sinal de que queria que eu fosse ter com ela, para irmos passear.
Matilde levava-me sobre uma montanha, voando sempre, e quando pousava, íamos nadar num rio fantástico. Todos lá queriam ir, mas não conseguiam, porque só a Matilde lograva lá chegar, e o seu único amigo era eu.
Passaram-se tempos e Matilde nunca mais tinha ido ter comigo, nem me tinha chamado.Fui a casa dela mas não encontrei ninguém. Procurei na cidade, pelos campos, e nada!Ao passsar por uma pavilhão, ouvi um mugido. Entrei e vi a Matilde muito triste, pois, segundo me disse, uns homens tinham-na prendido lá. Eu libertei-a, fomos até à cidade e pregámos tamanho susto aos homens que a tinham prendido, que eles não devem ter ficado com vontade de prender mais nenhum animal, para o resto das suas vidas!
De repente, ouviram-se trovoadas enormes, cruzadas, que duraram muito tempo. Chovia a potes e a cidade começava a ficar inundada. Eu e a Matilde percebemos que, ali, não se salvaria ninguém. Como a Matilde tinha bom coração, esperou que todos adormecessem, abrigados da água, e encheu-se de força para os levar a todos para a montanha, com a minha ajuda, claro.
Quando acordaram, viram-se no meio da maior maravilha de todos os tempos e não compreendiam o que tinha acontecido. Então, eu contei-lhes. Ao olharem bem lá para baixo, viram que a sua cidade estava toda inundada, e agradeceram muito à minha amiga Matilde por os ter salvo.Ficaram todos muito amigos.
Quando a chuva se foi e a terra secou, descemos todos da montanha, para reconstruir o que desabara. Matilde ajudou muito e a cidade inteira, agradecida, reservou-lhe um espaço grande, cheio de legumes e de tudo o que ela gostava, como prenda de aniversário. Então, ela, piscou-me o olho, e levou-as a passear por sobre a montanha e a conhecer o rio onde nós costumávamos nadar.
E eu ria-me, sem a menor inveja, pois a vaca Matilde continua a ser a minha melhor amiga!


BRUNO AMENDOEIRA - 6.º E
EB 2,3 José Tagarro - Cartaxo

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